terça-feira, 10 de novembro de 2009

MICROCONTOS - INF/ RECADOS PESSOAIS

...

Muda e Abissal.

c/ kit trilha sonora + 10%.




TOM RAIDER

Chicote e espinho. s/ dó.

1 olho de cada cor.




Janny na Selva

+ de 100 espécies recém vacinadas. Domadora cachorra.

instintosprimitivos@janny.com (marcar c/ antecedência)



Cavalo Branco

Volumoso. Alto Padrão.

Crina longa. Cócegas garantidas.




OS MASCARADOS

Sabores variados. Pouca luz.

Vagas limitadas.

sábado, 7 de novembro de 2009

Texto de quarta

Gente linda,

fiz uma leve alteração, vejam se está ok.

bjo

O sítio

Eu me lembro do rio. Ele passava bem aqui. Bem no lugar onde construíram a porteira verde. Ele era a nossa companhia de fim de tarde.

O pai saia para fazer entregas de cidade em cidade. A mãe cuidava das meninas pequenas. Zenaide e eu cruzávamos dez risos e lá estava o rio: cortado pela madeira do trapiche. Não havia vergonha do passo. Não havia obrigação da venda. Só havia alegria, marronzinha como o amigo.

Depois do banho, o alambique de cobre era o pique. O espaço, o esconde-esconde. O tempo inexistia no caminho. O fim era o cheiro da janta.

Antes de dormir, pela janela o rio nos espiava. Parecia triste, sua cor fazia-se escura, dura. Anunciava a despedida certa. Logo seria a venda do sítio e a mudança. No novo lar, não existiam tardes nem brincadeiras, apenas trabalho. O dia inteiro de balcão, contando comércio e salgando tainha.

O rio foi a nossa infância.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ciranda de Nuvens

Foi na Terra que eu vi
Nuvens sonhando no ar
Com o seu raio de luz
Abrindo roda a dançar

Tinha uma gaivota
E mais cinco a girar
Era uma linda ciranda
Eu vi do lado de cá

A brisa meu corpo soprou
Com os seus beijos no ar
O céu disse minha filha
Deixa seu corpo dançar

Agradeci a mãe
Não é de dor meu lugar
Vi com sorriso de dentro
Agora eu só quero dançar

E me senti do amor
Isso é verdade de alma
Sem passado, um presente
Minha essência me acalma

Eu entrei neste sonho
Meus pés limpinhos estão
Eu não piso eu danço
Com o meu coração

(Gi, esta é a última música que fiz, a qual te falei ontem)

Juliana

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Lua Nova










De colar e decote, cruza dez cigarros e procura por todos os lados. Nenhum carro passa. Ninguém chama seu nome: Daniela

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SAIR DE CASA...

Embora fosse fácil sair daquela casa, queria conhecê-la melhor pelos cantos. Não deixei que ninguém me notasse, pensei até em usar um pseudônimo no caderno de visitas, e depois que descobri que ela estava lá, sentada próxima ao balcão tomando uma cerveja quis virar uma névoa e ser somente observador.

Passei por entre duas garotas que se beijavam e uma delas me provocou com um sussurro. Não percebi o que ela dizia e preferi retribuir com uma carícia perto do seio nu. Me pareceu não gostar muito da minha audácia involuntária, mas não teve muita atenção para politizar. A outra pegou-a pela cintura e voltaram a se explorar. Sentei próximo ao balcão e pedi uma cerveja, enquanto apreciava outras exibições.

Ela me reconheceu logo que dei os primeiros dois goles e caminhou em minha direção. Subiu um sangue indiscreto em minhas bochechas que ganharam mais textura quando ela me cumprimentou com um beijo. Abraçou-me e disse que era uma surpresa me ver lá, que se soubesse teria tratado de se vestir melhor.

Conversamos pelo resto da noite em intervalos de quinze minutos. No último ela parecia desgastada e cansada, disposta apenas em relaxar os músculos. Cheirava uma mistura de muitos perfumes e tinha um vermelho no pescoço que disse ser batom.

Se queria passar no médico para ver o que era aquele hematoma no pescoço nem perguntei. Reparei que ficava roxo na medida em que o sangue esfriava e andávamos até em casa. Quis entrar e beber um drink. Não tinha muito o que oferecer então tomou um suco de laranjas. No quintal dos fundos tinha um pé que ela mesma cuidava e de tempos em tempos recolhia uma quantidade para sustentar os pedidos exóticos daquela casa.

Dormia e pensei que não acordaria mais. Sentei de frente para a televisão e busquei conforto na imagem dela naquela casa. Pensei nas duas garotas lésbicas, talvez a dignidade estivesse no lado em que se olha algo. Cochilei, tão logo meu rádio-relógio despertou. Tentei não acordá-la, mas ela gritou:

- Pai! Desliga isso que eu to com sono!


Ricardo Celestino

sábado, 24 de outubro de 2009

manu x mariana

Eu doença
você mentira
e ficamos como
estávamos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Voltas.

Forno quente,
papeis perdidos,
a chuva está vermelha,
e os quartos ocupados.
Respiro até o fim
estou arranhada
de tanto amar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Minutos


curta-metragem metalinguístico de baixo orçamento ou aceita mais café?


Outro curta da Ordem Primeira dos Adoradores de Pi.
Beijos.
(ah, e por favor, na quarta-feira, não me ofereçam café :))

http://www.youtube.com/watch?v=N5X3AaTLUqI

Cidadezinha




Terça ou Quarta
tanto faz,
o sol gira em paz.

Cantado

Comecei fazendo letra
Fui passar em silêncio seu
Coração o que veio
Uma estrofe ao luar

Em passo mole imenso
Não estou aqui para pensar
Sonho inteiro sim
A mola mansa do mar

Quero saltar o tempo (2 x)
Sabendo que a letra vem
E sai sem pedir o céu
Ah, minha voz sem lar

É muda e se desfaz
Como uma mulher
Esqueço quem vai lê
De mim um certo ar

Canto siri catado
Como marisco do mar
Um salto em alto, enfim
Em baixo é devagar

Quero navegar em mim (2 x)
Sabendo que a letra vem
E sai sem pedir o céu
Ah, minha voz te dar

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Solar

Descobrimos juntas que de baixo do azul
o mar é verde amarelado.
Que o sol por baixo da água anda.
Lá em baixo não é quieto, tem ruido de maquina misteriosa
e é difícil encostar a barriga na areia,
mais fácil nadar como sereia.
Com os ombros vermelhos,
ponta de dedos de papel crepom
e lábios de groselha,
vivemos os dias de calor
sem lição de casa.

O Discromópsico do Bairro de Lá


Bom, eu também coloquei mais chão e mais alguns pontos no texto do daltônico. beijos!

Antes de cair na grama, sol forte, rebatedor de luz na mão, o assistente do fotógrafo montou num feixe de roxo e seguiu aliviado para o céu da noite, as muitas matizes de violeta se espalhando pelas estrelas, coisa que só ele enxergava. A vista doía. Lembrou-se da noite em que descobriu ladrão camuflado na cozinha da tia Fátima, o menino é magrinho mas até que é bom pra ver sombra preta no escuro.  E olha que ele nem sabia que na Segunda Guerra Mundial tinha soldado especial que detectava inimigo oculto na mata, gente de fora importante que via assim, que nem do jeito dele.

No meio da queda, a cabeça pertinho do chão, passeou pelos lilases e cinzas leves e repousou a vista na lembrança das fotos que tirava junto com o primo da polícia. Realçou a luz no p&b com mil tons, o chefe sorriu de trabalho bem-feito, o primo gostou, esse que era filho da tia dona do Joel, cachorro que não podia receber carinho não, se emocionava demais e vomitava uma pocinha laranja. Da cor mesma das frutas no pé no fundo da casa, que era também da cor dos tomates e  da cor do sol, tudo a mesma coisa, só que o sol o mais brilhante, até demais, misturando a luz com o brilho do céu, não fosse o contorno da bola pra separar esse do outro, quando nublado o dia era pior, ficava tudo um clarão só sem o contorno de nada.

Menino magrinho, pretinho. Ceguinho? Gostava de dormir até tarde, cortina fechada, adorava a noite, mas aí era coisa de gente preguiçosa, a tia batia panela, então trabalhou em obra, cal, via tudo igual, só a forma e o jeito de pegar que era diferente, disseram do tijolo: laranja, e ele aprendeu, como as frutas, os tomates, o vômito de Joel. O primo conseguiu a vaga para trabalhar de fotógrafo na polícia, crime na noite, ele de assistente pra ir junto pediu, arriscou, conseguiu, o escuro, via prova que ninguém viu, mancha no chão, ladrão escondido, feito na casa da tia, olho de gato esse menino, bom demais pra trabalhar aqui. O chefe da polícia amigo do chefe de revista mexeu os pauzinhos, foi trabalhar em catálogo de moda, pagam bem, coisa de gente fina, começa amanhã, segurando o rebatedor.

Dia de sol no jardim, uma moça de vermelho, uma de verde, uma de amarelo. Tudo claro tudo igual. Joga luz na de vermelho, ele sentou luz na de amarelo, ilumina a de vermelho, botou luz na de verde, Bolinha nunca dirigiu, não pode ler semáforo, pois é. O diretor nervoso, a pressão, Bolinha não acertava uma, foi ficando emocionado de tenso, dando enjôo, que nem Joel vomitava de ganhar carinho o laranja mesmo do vestido das três moças. Soltar o rebatedor não soltou, que era coisa de primeiro dia de trabalho. A cabeça indo direto para o tijolo do canteirinho de crisântemos. Na grama, ainda pousou a vista num besouro antes de afundar no breu. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Já que o polvo não entendeu quase nada do que tentei dizer no texto, decidi faze-lo mais tragavel, tirando o lado alegorico da historia. Os filosofos foram suprimidos pelo bem do texto todo. Opiniões?

Zarolho

Deficiente dum sentido ou ambos abrolhos. Já neles não mandava. Fixava o binoculo jamais em posição alguma. Inadequado, devido a falta de controle, lhe retorciam os musculos. Tão perdido seu foco era que podia ver gatas, cachorros e piranhas no mesmo olho sem perde-los, nem de vista.

Esse era Zenão, carimbado, estampado e sempre atento a qualquer movimento brusco, ou não. O tipo de tipo que só olhava para si, sempre assustou a criançada da cidade, com sua mirada torcida. Alguns o diziam fugidio, outros reticente. Zara era ele, pra muita gente. Seu moço, em breve esboço de encarar a cara dos que lhe zombavam para retrucar tais xingamentos alarmistas dava em cheio com algum passante e em tom desafiante inciava uma peleja. Brigando sempre contra duas visões, ele acabava aturdido. Entre a sombra de seu proprio gemido, o peixe e o gato. Zenão convergente, diferente doutra gente sempre tinha aa mão um argumento retrucão aa vista reta e falica dos amolões. Lhes dizia: Crates mestre, eu juro. Que se minha janela fosse boa, eu nao perambularia a toa, pelos olhares externos de uma varanda, pra encontrar um osculo de paz, estaria eu sentado com a velhice que me é de direito, sem saltar-me as veias do peito pra combater essa xingaria. Dos Meninos d’alforria desta juventude envesgada. Isto menos far-me-ia heroico, ou algo estoico frente a essa minha vesguice

domingo, 20 de setembro de 2009

Letra

Ó menina a gente tava lá,

Uma luz caída
Tinha muito clima
Você cantou uma rosa
Meu sonho outra canção

No alto, essa beleza
Não estou sozinho
Tem irmãos comigo
Com o pau de chuva
Fazendo chegar verão

De onde o amor viria
Romance louco
A gente fez um livro
Dentro e fora desse salão

Você dizia maracatu
E eu fora do tempo
A gente só ria
Cultura minha
Fez graça de sim e não

Eu, nós, ela só
Faltava uma parceria
Parece que eu sabia
Coração quente,
Dizer sem som

Eu sei que é natural
Que acontece assim
Mas eu procurei tanto
E foi na brisa que ouvi
O vento forte, a nossa canção

Ó menina a gente tava lá,
Uma luz caía
Tinha muito clima
Você cantou uma rosa
E molhou uma razão

A gente fez, a gente fez idéia
Ó menina a gente tava lá,
Uma luz caída
Tinha muito clima
E a gente fez, a gente fez

Parece que eu já sabia
De coração quente
Que você viria
Dizer sem som
As vozes da nossa letra
Nessa canção

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Vontade de Durar



Fiz algumas modificações. Espero que o leitor agora consiga entrar no texto! Bjs

 Gisele Werneck

spaceball.gif 

Lembro sim. O dia em que seu pai morreu. Foi um Dia de Janela. Se você soubesse que a vida retumbava desse jeito, não teria se entregado né. Assim, ao toque da flanela, do ludo e do jasmim. Tão bebezinha. Se é muito delicado, não pegamos com os dedos. Nem pecamos com os dados. O sol fechado na madeira bonina era de domingo, mas a tia foi para o trabalho. A lavanda tava plantada numa terra escura, dentro de um balde amarelo no chão do quarto, os brotos nos raios de poeira tinham esse cheiro de buraco que ainda me organiza. Debaixo do sapato dele, no tapete de pompom, eu escondi as duas casquinhas do pistache que eu comi.

Os dados não te incomodam né. São os dedos que me perturbam. O balanço do quarto fazia nhec nhec e as tiras de plástico beliscavam o meu braço. Eu tava com seis anos, você tinha acabado de nascer e o tio tava bom de saúde. Ele me pediu silêncio com o indicador de pêlos pretos e mais três dedos espetados. Com unha no sabugo. Será que ele sabia disso? Dos ossinhos levantados para nada? Não poderei mais contar ao tio que eu vi isso. Você dormia e eu também não pegarei no seu sonho de bebê. Nem no som que o esqueleto fez quando ele caiu no chão.

Foi coração. No Dia do Antes, o cinto dele tava largo e as calças desceram. Ele segurou a fivela junto com uma sacola de pão, no meio de um passo, ficou engraçado, não andava nem parava, os pães batendo nas coxas, eu ri, sobrinha despeitada, o remorso me deu uns tabefes no Dia do Depois. A tia chegou da rua e viu o dedo ainda em riste perto do sapato. Imóvel sobre o tapete, que vergonha das casquinhas de pistache!

Tenho que dizer da outra mão. Ainda a pouco o berço balançava. Você tinha febre. Seu pulmão cabia numa lata de leite e o tio não quis agredir você com a temperatura dele. Nem com meu barulho. Uma mão armada sobre a boca me fitava com óculos de aro grosso e bigode. A outra me apresentou a vida em você. Pousada em flor no calor do seu pezinho. Entidade em miniatura. Eram dedos com vontade de durar. Mas a concha relaxada logo virou coisa de nunca mais mexer. No batismo dos índios Mojares, ainda não descobertos, os pais passam suas vidas para os filhos em tambores de cabelos banhados de águas turvas, nas noites de lua branca. Depois partem. Lembro-me, sobretudo, do cheiro de mão lavada com sabonete lux.

No mais, setembro, pateta e caramelos. Também a peneira verde no tanque de areia. Sua mãe chorava, seu pai floria e aprendemos a nadar em pneus ao lado dos patos e dos marrecos.


o poeta me nina

e calça pernas curtas

voando num foguete de

todas rotas todas lutas


de todos momentos

nesse instante mudo

coloque moldura no

meu pequeno descuido

Era uma Vez...

Oi, esse é o meu curta que o Marcelino falou na aula ontem, Era uma Vez..., exibido na 1ª Mostra de Curtas "Independente Disso", realizada na Mercearia São Pedro no dia 07 de setembro de 2009. Assino o roteiro, produção, atuação e divido a direção com Byron O'Neill e Guilherme Reis.

http://www.youtube.com/watch?v=AP5XHrXIQ3c

Exercício da Foto


Bom, posto o texto e a fotinho de ontem. Segui algumas sugestões do Felipe e do Marcelino.




Querida Gi,



Te mando a foto que encontrei entre os guardados. Você com a timidez tão nossa, a telefunken da vó e a Ana com o cabelo picapau que minha mãe cortou. Foi tão difícil minha mãe acertar o corte, lembra!? Tua irmã não parava quieta e nós duas berrávamos aquela música dos Menudos. “Não se reprima, não se reprima.”A mesma das festinhas.

No baile, a música soava sem gritos. Acho que já sabíamos que os Menudos não eram grande coisa: eles e os meninos da classe. Nem olhávamos ao redor. Não era dada a qualquer um a permissão da nossa palavra. Fomos achar os meninos legais só na adolescência mesmo.

De sábado de tarde, eu ia na tua casa. O bolo de cenoura com chocolate que tua mãe fazia. Teu pai escrevia, escrevia e escrevia. Eu não entendia como alguém podia gostar tanto de metralhar a Olivetti. De dia de semana, nós nos viámos na escola. A caverna do dragão e o Bambalalão na TV. Seguimos, assim, a infância.

Espero que goste muito do presente. Ana e eu te esperamos aqui em casa.



Beijos

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Fungo

Não durmo em você
Onde está seu corpo?- Meu chão tapete voador.
Mil noites não existiram.
Privilégio da escolha .- Minha ?
Da sua alma, as videntes não sabem mais,
futuro que parou de ser .
Pasta aberta esperando mensagens.- De mim ?
Não há nada a dizer.
Ouvidos sem cuspe, boca vazia,
pernas fechadas, minhas meias ainda estão furadas nas coxas.
Penso em você na floresta, folhas úmidas, mistura de fungos.
Não quero a grama nem a trégua.
É cada vez mais pálida sua imagem na luz do dia,
você virou fotografia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

prefiro assim:

http://www.youtube.com/watch?v=vyQ6_jb7DP0

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Casquinha


A dor de doer é rosa. Os mestres seguram tudo, menos isso, esta cor idiota. Santos em ser são. A melodia não chega neste quadro. De graça, vamos fazer valer a sorte de cá, se for. Encontrar, dizem os antigos não é algo para se pegar, é sempre o caminho. Vamos sem acreditar pra não perder de vista a união que não se aperta mesmo. E ainda tem julgamento, não é? Na humilde alegria do peso. Tudo mora perto! Sendo vinho na garganta que não é minha. Sabe como? Foda-se. Me aposento aos vinte anos e vai todo mundo se partindo daqui com os raios naturais, metálicos, azedos. A ferida, quer que eu sopre? Faltam dois para quatro, suma daqui, se crie em casca você e largue meu braço.

SARAU DA CAMARILHA



Aoo povo!

vou fazer um marketing pra galera de Santana... quem puder, apareça por lá!!

abraços!!

Ricardo Celestino

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Viúva Negra




Bela como poucos cumes.
Ela passou sem deixar rastros.
Num andar de mil ciumes.
Ela desviou sem deixar castos.

Doce como poucos favos.
Ela sorriu sem deixar mel.
Num gargalhar de mil escravos.
Ela encantou sem deixar véu.


Pura como poucos ares.
Ela acenou sem deixar marcas.
Num balançar de mil altares.
Ela feriu sem deixar farpas.


Feminina como poucos portos.
Ela piscou sem deixar dúvidas.
Num desaguar de mil mortos.
Ela envenenou sem deixar vidas.

TRÁFEGO NO MAR VERMELHO


Os lagos de luzes vermelhas
Povoam navios apressados.

Correm formigas de lado a lado,
Iluminem-se pelo néon nublado.

Os corpos já não param,
Retrato, acompanhe-me!
Não tenho tempo parado.


- Ricardo Celestino

Este poema é um trabalho que fiz na faculdade junto de um amigo fotógrafo. Tenho mais fotos dele, na verdade são 21 fotos e 21 poemas falando sobre a cidade de São Paulo.

Não sei por que cargas d´água a imagem está perdendo a definição... mas enfim, quem quiser dar uma olhada no trabalho depois, me dá um toque!

Lina, não consegui comentar em teu post, mas gosto muito das tuas fotos. Queria te mostrar esse trabalho completo uma hora. Posso te mandar por e-mail!

Abraços!!

domingo, 6 de setembro de 2009

Mãe de deus










Ao som de Madredeus viajo nas intermináveis horas que distanciam Brasil e México. Ao meu lado uma freirinha da congregação “Servas de Maria”. Tento me afastar ao máximo, nem sorrir, motrar-me indiferente ao que ela representa. A servidão, ainda mais a Maria, não é atraente, não me interessa.
Ela quer se aproximar, me pede tudo: do talher ao café. Sorri. Pergunta de onde sou e elogia meu espanhol. Novamente finjo que durmo… Pelo menos nos meus pensamentos nenhum fundamentalismo alheio invade, só o meu próprio.
Continuo contando os segundos. A perna dói. Sinto um desconforto. Não consigo dormir, quero ler os livros que estão na bolsa. Fotocópias. Malditas Mulheres.

Lembro do amor platônico delicioso e esqueço da freirinha.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ia - ia

A velocidade da água quente, caía de seus olhos, dando chutes no peito, quando lembrava de sua mãe. Que egoísmo era o seu, de queimar o que ela mal tinha, com a desculpa de que nem saberia sobre a vida de amanhã. Que banal.

Eram doze horas no latifúndio da sua, que fazia para gozar um quarto do que engolia. Sentindo-se maior com toda a humildade do mundo. Legal que era, mas quem não é.
                                                             Esperto no refúgio, na impressão desmerecida, nas vozes, que descaso sobre sua sensibilidade, dizia. Fechando punhos, fazendo festa, dando letras, mais real do que até. E depois, antagonia em toque de corpo, debaixo da coberta. Na garantia de asa, para a mesma sexta-feira pobre sobre a outra face luminosa, brindaria.
                      Será. Deselegância desenfreada, criando direitos de coragem ia e só ia. Sabia do troféu, que insistia em não pensar em motivo existente que saltava risos decentes de coisa enquanto dormia.
Um saco cheio de mais, um saco vazio que ganharia se menos, com toda esta ordem a ler o mínimo fundo, para se inspirar a começar a ser que, de fato achava que era. J.D.

Anotações em Trânsito

Nesta cidade que passa por mim como um travelling maltrapilho, o carro sempre no ponto morto , enfileirado. O próximo que ande. A pressa contida é um colete a prova de balas. Somos sentimentais contudo. Queremos o extermínio mas não o sofrimento. Sofrer é nostalgia pura, é nobreza. Vou dissolver o chumbo deste colete cinza agora. Vou abrir as janelas, vou decorar todas as placas ao meu redor, vou encontrar o angulo perfeito no meu retrovisor, compor você. Quero dar um osso para o cão do meio fio, quando te encontrar engarrafada comigo. Quero compactuar com a minha estupidez, vou enviar aquela música, vou enfiar virtualmente meu pau na tua buceta sentada, não precisa levantar , faço acrobacias luta marcial. Meus grãos são contados, alimento-me todo dia. Você não chega. Outras passam. Continuamos lentos.

Criação

[Esse é o texto antigo que entreguei pro Marcelino e ele acabou lendo na aula. Na medida do possível, segue a ordem dos acontecimentos descritos na Bíblia. Não é projeto de nada, um post de um blog, mas simpatizo. - Emiliano]

DEUS: Nada.
CHEFE: Nada? Ssem experiência fica difícil.
DEUS: Preciso dessa chance.
CHEFE: Tem um servicinho aí, pra daqui a uma semana. Pode começar domingo?

Primeiro dia

CHEFINHO: Tem luz?
DEUS: Durante metade do dia.
CHEFINHO: Pra que lado gira?
DEUS: Esquerda pra direita.
CHEFINHO: E o nome?
DEUS: Não sei ainda.
CHEFINHO: Vai ser todo azul?
DEUS: Talvez. Tava pensando em colocar um anel.
CHEFINHO: Sem anel. E achata os pólos.

Segundo dia

CHEFINHO: É todo de água?
DEUS: Por enquanto.
CHEFINHO: Bota uma atmosfera.
DEUS: Atmos-quê?
CHEFINHO: Um céu.
DEUS: Saquei.
CHEFINHO: E não esquece de pôr um nome.

Terceiro dia

LU: Eu chamei o meu de Marte.
DEUS: Legal.
LU: Tem que ver: vermelho escuro, equador de 7 mil quilômetros, ano de 700 dias, dia de 25h horas. Seco, só pedra, como eles gostam.
DEUS: Agora o meu tem parte seca também.
LU: Qual a proporção?

Quarto dia

CHEFE: São dois terços de água e um terço de terra?
DEUS: Isso.
CHEFE: E mesmo assim se chama Terra.
DEUS: Por que é na terra é que tudo acontece.
CHEFE: Tudo o quê?

Quinto dia

DEUS: “Vida? Quem precisa de vida?” Nem viram a lua que eu fiz ontem.
LU: Relaxa. Não é o fim do mundo. Plutão, que ficou aquela merda, eles puseram em órbita. Mas é bom se livrar dessas aves, desses peixes.
DEUS: Agora, nem com dilúvio. E amanhã chegam animais domésticos, animais selvagens, animais rastejantes e...

Sexto dia

CHEFE: Um homem?
CHEFINHO: E uma mulher também.
DEUS: Não era pra ter vida inteligente?
CHEFE: Meu querido, não era pra ter vida inteligente, não era pra ter vida burra, não era pra ter vida nenhuma. E o que são aquelas manchas brancas?
DEUS: Nuvens de chuva. Pras plantas.
CHEFE: Plantas?
DEUS: Eu criei no terceiro dia. Vi o que havia feito. Achei que era bom.
CHEFE: OK, já ouvi o bastante. A gente para por aqui.
DEUS: Mas o homem já está até botando nome nas coisas.
CHEFINHO: Pode tirar um dia de descanso. Passe no RH depois de amanhã.

Oitavo dia

LU: Iam jogar fora?
DEUS: Aí peguei pra mim.
LU: E agora, quais os planos?
DEUS: Tava pensando em colocar um jardim, um pomar, bolar algo pro casal fazer. Vai ficar bacana. Quero que você veja!
LU: Um dia eu faço uma visita.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ana


Eu tenho uma amiga. Não preciso saber muito sobre sua vida. Apenas a certeza que revezamos ouvidos quando queremos. Os dias mostrarão, quem sabe, muito provável, suas outras faces e eu também terei uma que não reconheça eu mesma as outras. Então, a deixarei dizer para não me suicidar quando não tiver vontade disso, apenas confiarei nela e irei trancar sentimento ruim em outro espaço que não aqui.

Nos tempos estranhos, intensos, um pouco conhecido, veio a semente. A experiência carregada de sentido semelhante, projeto de flor, na chuva fincaram dois pares de pés bravos para viver um único dia, os nossos. E vivemos. Como os cabelos de Ana, negros, meu olhos bateram sonhos em imagens de coisas que deixa de explicar para só brilhar.
Dias passam e meu mapa tem mais linhas, não sei ainda se preciso seguir uma. Minha amiga pode achar que sim, mesmo não querendo uma para si. Não sei detalhes banais de Ana, ainda que discordem da forma, eu gosto de ir, e se for com o vento da semente que colhemos, direi que temos raízes e que a terra estará de acordo com a temperatura do nosso sonho. J.D.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO



Oi, eu queria levar um papo com o senhor.

Eu era um garotão bonito, assim como você, me divertia por aí, naqueles bailados da jovem guarda, ouvia Roberto, comia as princesinhas apaixonadas e depois voava que nem águia dos pais que queriam comer a gente vivo, e eu pulava aquele muro ali sem apoiar mão. E olha que nunca fui corredor, o medo fazia milagre.

Teve uma vez que eu e a Bethania conhecemos um disco juntos, do Bob Marley. Aquele cara é fera demais, e foi aí que eu comecei a tocar violão também. Eu trabalhava numa empresa, ganhava uma bolada, decidi largar tudo e viver de arte. Tinha um monte de gente que fazia isso naqueles tempos, sabe?!

Eu não to atrapalhando a cervejinha dos doutores né?! É rapidinho, eu prometo.

Fiz alguns shows assim, de fundo, enquanto a moça dos cabelos de leoa cantava, sem sair do afino. O público vibrava tanto que dava pra sentir a emoção deles ali de onde eu tava, coadjuvantando. Mas a gente ficava muito feliz de tocar pras artistas. Principalmente Bethania.

Aí eu conheci umas coisas mais cabeças, entrei para um grupo religioso que prometia resolver todos os seus problemas se você vendesse um número de cotas dos livros que pregavam a ideologia... como que era mesmo o nome... bom, um gordão fazia parte, cantava como ninguém e comecei a tocar violão junto com ele também. Banda de apoio.

Oi, se o doutor quiser me pagar uns comes fica a vontade, viu?

E deu a entender que eu começaria uma carreira solo, financiada pela porcentagem que eu conseguia pela venda da filosofia barata. Aí eu fiz Claudio Araís canta Soul, e era aquelas coisas de primeira qualidade, James Brown, sabe? Ta vendo o trato do Black aqui, né? Pois é, um dos caras mais responsáveis do mundo da música.

Então tá certo, fica pro próximo encontro e eu termino.

Vai com Deus!

- Ricardo Celestino

(Este conto é sobre um personagem do romance Lipstick Killer chamado Miles Davis. Bem, ele existe fisicamente, mas a história é fictícia, e ele fica deitado na praça da Bom Conselho, na rua da Mooca)

Diário Chilango

Pessoas,
posto o texto de um ensaio fotográfico que fiz sobre a Cidade do México. Chilango é a denominação de tudo que é da cidade do méxico. Quem quiser ver as fotos eu mando o link do ensaio completinho, é só pedir.
Abs
Chilangas bandas

Fui de taxi com Geraldo.
Comi pistache depois da lua asteca.

Várias mulheres compactuam angústias alegres comigo nas terras chilangas:
Tania, Camila, Perla, Ana, Frida, Tina, Maria Emília e Gioconda . Influenciam.

Numa menor intensidade busco homens. Eles pegam na minha mão e penetram desafinados.
Malditos homens que fazem fotocópias e que perguntam se sou casada.

Me afasto do outro e busco vários. Até o professor parece com ele. Treme e é magro. Lastimosamente asi es. Heridas. Fracturas incuráveis como a luxação.

Faz sentido amar outra vez.
Faz sentido falsear o outro joelho.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009


Espuma densa na boca de terra
Céu sente olhos ilegais
Um rádio não se convence
Nós corpos de dois peitosos
Querendo caber um dentro
no outro mão aberta
Pancada de sonhos
Volte aqui e fecha
barraca que tranca palavra
A voz de muita pedra que arma
J.D.

microconto

Tenho vontade de furar meus olhos
e esvaziar o que foi seu.

Morial Killer

Meu polvo, segue um poema manifesto pra escrever sem amarras. E antes que alguem pense que é direcionado a alguem, é melhor deixar de pensar que o mundo gira entorno do proprio umbigo.



Morial Killer

Matar vem me dando grande gozo.
Ver morrer me alegra a vida insipida.
Cada grito que desfere minha vitima.
Da prazer ao meu corpo libidinoso.

Me tornei um frio assassino,
Sanguinario e viciado em morte
Matando qualquer coisa que abomino.
Bebo sangue quente de cada corte.


Crueldade é torturar um pobre morto.
E perder suas feiçoes de desepero.
O mais belo de matar é ver no corpo.
Os espasmos de dor do meu esmero.

Ha prazer na morte alheia anunciada.
Como ha prazer na caça de um animal.
Ver os olhos desta coisa amedrontada.
Ao desferir o frio golpe mortal.

Cada moral que está a ponto de morrer.
Me éxcita a cada morte de forma avida.
Ver o choro de quem suplica pela vida.
Preenche meu sangue de prazer.

domingo, 30 de agosto de 2009

O que Tati tem?


Tatiana, 69, camisola vermelha, dorme dentro da armação de seus óculos no cinema. Na tela, um musical de Bollywood e olhos machos nos ventos que levantam as saias das bailarinas. Tatiana, fora da tela era a única espécie feminina ali e dormia.
No corredor central, Rigoberto, 57 segue a comprar pipocas e vê Dona Tatiana exposta com suas vestes acima dos joelhos entre-abertos. Se preocupa com a exposição da senhora e tenta acordá-la. Senhora, uma vez, senhora três e nada. Pega na mão da velha, gelada e sem pulso. Abaixa cuidadosamente sua camisola, pega a bolsa e sai. Volta com as pipocas, sem a bolsa, já tendo avisado a Seu Lázaro que uma senhora, sem documentos ou qualquer objeto, estava dormindo e parecia estar um pouco fora de si.
O último cliente passou, Lázaro vai até Dona Tatiana, estava ali desde a primeira sessão, da manhã. Começa a procurar a caixinha de remédios no chão. Acha duas, vazias, uma de donepezil para seu problema, a outra de calmante, além, do vidrinho de benzina entre suas pernas. No rosto de Dona Tatiana um sorriso para cima. Duas lágrimas seguidas dos olhos de Lázaro salgando sua boca que não evitou um sorriso. Olha para cadeira ao lado, um baralho, será que dona Tatiana teria ganhado a última partida? Ninguém da cidade saberia. J. Durães

Margô Morreu (morte do meu personagem)

Fechou a porta com mais cuidado do que de costume.

Largou a bolsa aberta e no chão, foi direto para o telefone avisar sua mãe que não poderia passar lá por pelo menos dois dias. Uma conversa seca, sem tempo para as sempre perguntas dela.

Teve vontade de suspirar aliviada mas o ar foi sufocado por uma golfada de vomito. Não se importou em vomitar no tapete e nem em se limpar.

Seu cheiro era azedo, cheiro de criança recém nascida .

Foi até a comoda antiga do seu quarto, abriu a primeira gaveta e dentro de uma caixinha de cigarro pegou o bilhete guardado de metrô, com cuidado colocou no bolso do seu casaquinho branco e manchado.

Saiu em seguida, sem trancar a porta e sem bolsa.

Foi andando rumo a estação de metrô, no caminho, sem perceber, atravessava as ruas com o cuidado normal de quem não quer morrer .

Passou pela catraca e desceu pela escada correndo, sem tempo.

Foi direto para boca do túnel, já tinha imaginado tudo, e seria rápido demais .

Saltaria como um salto à distancia, sentiria um frio na barriga por estar em pleno ar, algo como uma parede de ferro fria ou quente isso ela não sabia, daria um tranco que a jogaria para baixo, teria que cair certeiramente em cima dos trilhos.

Na plataforma, imóvel ficou como que encantada pelos trilhos, não demorou muito um vento de mentira anunciou sua partida.


Trechos do Diário

Pessoas,

Posto trechos do diário. Aguardo opiniões, sugestões e críticas. Detesto silêncio, rs


07 de agosto de 1979

Mãe, eu e tio Janguinha fomos no antigo sítio em Congonhas. O alambique de cobre, a madeira da entrada, a cachoeira, tudo quase intacto. Até meu pai parecia vivo: ele e o caminhão. A montanha de mercadorias no depósito. Entrega de cidade em cidade.
Era tão bom quando ele saia, a partida dele era nossa liberdade. Corríamos e brincávamos. Lá estava a mãe grávida. As meninas pequenas. Horas de brincadeiras.
A mãe também se emocionou muito, ela disse: “até os borrachudos não envelheceram, são os mesmos.”


23 de novembro de 1979

Trabalhar em barco foi uma das piores coisas que já fiz. Todo dia era aquela solidão esticada. De noite, diante do mar não havia nada além da escuridão.
Pouco se conversa nesses momentos. A audição deve ser o principal sentido, pois o invisível prega peças e o mar braveia a qualquer hora.
Quantas madrugadas de mar revolto. Afoito. Passei a odiar meu antigo companheiro. Justo ele, que sempre fora meu confidente, minha memória e meu pensamento. Embarcado, era meu inimigo – nada íntimo.
Não havia mulheres e músicas compactuando cigarros e beijos. Não havia trapiche. Havia apenas outros inseguros homens a espera do porto: nossa mais ansiosa promessa. Em terra firme teríamos o amor rápido e a pesagem do camarão.

sábado, 29 de agosto de 2009

O incrível fusca

Pessoas,

Boa Tarde!

Posto o texto que o Marcelino comentou. Não modifiquei nada porque gostaria de saber a opinião de vocês.

Meu tema secreto eu detestei e não vou colocá-lo aqui.

O incrível fusca

Fomos de fusca até a Europa।

Avançamos faróis dos mais variados। Azuis. Redondos e de paralelepípedos.

No meio do caminho encontramos vários labirintos। Eles dobravam e desdobravavam.

Á esquerda passamos pelo Quênia e depois do breque, compramos sapatos indígenas no Equador।

Com os pés calçados de todas as cores, seguimos a nossa árdua rota।

Cabelos ao vento e mãos atentas ao volante.

Os olhos concluíram a jornada após décadas। Inacreditável, chegamos a Europa.

Pregamos lambe- lambe pelas ruas। Conhecemos os cânones do eurocentrismo. Falamos de política, de América Latina e de África….

Pouco tempo ficamos, refizemos as malas। Rumamos ao sul –nosso norte.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

no país das lasanhas congeladas

e aqui segue aquele meu texto que eu não sei muito bem se é crônica ou conto (ô minino, decide logo, vix!)... rsrsrsrs!! adoro andar por estes limbos!

deixei com marcelino, portanto compartilho com vocês aqui!!

no país das lasanhas congeladas.

dias duros este de selva, duro sobreviver confinado neste meu bunker. as provisões rareiam, andam escassas. no momento a geladeira exala espaços vazios e dentro do armário apenas arroz e uma lata de molho de tomate. isso me obriga a sair da ostra à caça de alimento.confiro o uniforme: camiseta, bermuda, sandálias. meu veículo de muitos cavalos velhos e mancos está pronto para o ataque enquanto eu procuro as chaves. acho e antes de sair confiro se levo comigo a única arma que tenho para esta caçada: o cartão.

enquanto estaciono meu carro na savana-mercado tomo fôlego e me preparo para a dura missão de garantir a sobrevivência. armo-me de um carrinho e entro no antro de onde terei de sair vivo e com o meu combalido saldo bancário ileso. de cara sou jogado na seção das grandes-necessidades-urgentes-que-eu-deveria-possuir. nada que não possa ser superado com um pouco de vontade e uma estratégia de apenas olhar para a frente. saio inteiro mas logo sou ludibriado por uma miragem-oasís, com uma enorme carta de vinhos disponíveis, whiskyes de primeira, tequila, conhaques, cachaças e refrigerantes. mas um olhar atento revelou que nada daquilo era real, eu não tinha muito mais que 20 mangos pra gastar, e que mesmo uma garrafa de coca-cola seria demais. levei dolly.

até aquele ponto eu me saí bem, mas logo eu teria de passar pela terrível seção das porcarias gostosas. doces, isoporitos, biscoitos e laricas afins, terríveis tentações que corroem qualquer orçamento mas especialmente cruéis após um baseado. tenso, eu passava fingindo ignorar a terrível ameaça que me circundava até que fui surpreendido e atacado por uma promoção de biscoito de chocolate vitaminado por apenas 99 centavos. na jugular. enquanto segurava um pacote, precisei de muito esforço para conter a sangria de despesas que seria aquela missão se eu caísse em tentação. mas resisti e continuei focado em minha difícil caçada.

após isso cheguei aos laticínios e cereais, aonde consegui caçar um litro de leite com soda caustica, um saco de farinha de rosca (pra fazer farofa) e feijão. aquilo havia deixado meu saldo bastante exaurido, mas apertei o cinto e consegui chegar até a seção de carnes e congelados. não tinha mais muita munição, portanto precisaria ser certeiro na fase final desta empreitada.

afinal, o paraíso, a área mais aberta de onde se tinha uma ampla visão e espaço para respirar. ouvia o canto das sereias sair de dentro das geladeiras de sorvete ou mesmo de deliciosos queijos caros. distraidamente acabo parando no país das lasanhas congeladas. molho branco. quatro queijos. bolonhesa. vegetariana. presunto e queijo. todas ali, prontas para serem colocadas no microondas ou forno e serem glutonamente devoradas, sem maior esforço. no entanto, logo caio na real e vejo que o preço, sempre ele, se impõe e me veta este delírio consumista. compro meio quilo de carne moída, cebola, alho e pimentão pra fazer um refogado com a lata de molho de tomate e volto ao meu carro e à minha realidade.

Pedro Tostes

Dindinha

vou postar primeiro meu texto do tema secreto, que era Pedofilia. aproveitei o tempo que ele deitou e os toques do marcelino, fazendo uma pequena revisão. vejam como ficou agora (e, claro, podem opinar, dar toques, etc)

Dindinha

ela me veste bonita, com laço de fita. me põe de vestido rosinha, penteia e enrola meus cachos me chamando de anjinha. dá as mais belas bonecas para eu aprender a mexer e vela meu sonho do pesadelo. ensina a descobrir o mundo e as vezes a gente deita cansadas de tanto devaneio e o céu molha nosso rosto. faz seu carinho diferente e eu rio até chorar. é minha confidente e guardamos alguns segredos. sou a bonequinha dela e a gente brinca junto escondidas. toma banho comigo e me diz que uma boa menina não espalha seus mistérios. ela me disse que eu iria ser mulher e eu disse que já era.

Pedro Tostes
Estou com o cheiro da sua boca
na minha respiração.
Vem de dentro do pulmão,
da gengiva
ou da mistura antiga de saliva.

Derrame

Vivo dentro de um abismo elástico
espaço silencioso de memória fria
sem gravidade .

Perto do seu olhar posso ouvir
as batidas do seu coração escuro.

Você pode ver a cor de quem sofre
eu, não chego nunca ao chão.

Bissexualidade

amigos

o meu tema secreto era a bissexualidade - e coincidentemente a bissexualidade é quase sempre um tema secreto.

deixo aqui o texto.




De golpe em golpe, a enxada cavuca a terra. A ponta metálica do instrumento risca a face da mãe de tudo; bule, alisa, e avança. Suingue contínuo em vai-e-vem, roça cada grão como lambida, deixa a terra bêbada de morrer de prazer. Enxada viril. Gretas, fendas, trincheiras, não faz distinção; come geral. Cozinha todos os buracos. Extremidade de 30 centímetros de ferro e um corpo de pau que serve pra pegar. Quem pega é o lavrador. Maneja a ferramenta com suor. E com louvor. A cidade está longe e nesse descampado só a enxada e ele. Agarra a bicha pelas ancas, dá ordens, faz dela escrava. E cava nela. Mãos de couro, de touro, manipulam o ferro, o pau, animam e desorientam o instrumento. Que gosta, e continua enxotando a terra, penetrando, quanto mais fundo, melhor.
Eae galera!

Então, fiz um texto tentando colocar em prática alguns dos toques que o Marcelino tem dado na oficina. Detalhe, valeu Pedro pela observação das vírgulas no final dos meus versos, o problema é que peguei umas paradas antigas e só achei vírgula nos textos! rsrs...

Bom, segue o poema aí!


CANTO A CAPELA

Sei de sóis que se separam
Cada qual uma melodia

Os motivos da viola
Variadas harmonias

Cada Contraponto
Uma polifonia.


- Ricardo Celestino