segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Morial Killer
Morial Killer
Matar vem me dando grande gozo.
Ver morrer me alegra a vida insipida.
Cada grito que desfere minha vitima.
Da prazer ao meu corpo libidinoso.
Me tornei um frio assassino,
Sanguinario e viciado em morte
Matando qualquer coisa que abomino.
Bebo sangue quente de cada corte.
Crueldade é torturar um pobre morto.
E perder suas feiçoes de desepero.
O mais belo de matar é ver no corpo.
Os espasmos de dor do meu esmero.
Ha prazer na morte alheia anunciada.
Como ha prazer na caça de um animal.
Ver os olhos desta coisa amedrontada.
Ao desferir o frio golpe mortal.
Cada moral que está a ponto de morrer.
Me éxcita a cada morte de forma avida.
Ver o choro de quem suplica pela vida.
Preenche meu sangue de prazer.
domingo, 30 de agosto de 2009
O que Tati tem?
Tatiana, 69, camisola vermelha, dorme dentro da armação de seus óculos no cinema. Na tela, um musical de Bollywood e olhos machos nos ventos que levantam as saias das bailarinas. Tatiana, fora da tela era a única espécie feminina ali e dormia.
No corredor central, Rigoberto, 57 segue a comprar pipocas e vê Dona Tatiana exposta com suas vestes acima dos joelhos entre-abertos. Se preocupa com a exposição da senhora e tenta acordá-la. Senhora, uma vez, senhora três e nada. Pega na mão da velha, gelada e sem pulso. Abaixa cuidadosamente sua camisola, pega a bolsa e sai. Volta com as pipocas, sem a bolsa, já tendo avisado a Seu Lázaro que uma senhora, sem documentos ou qualquer objeto, estava dormindo e parecia estar um pouco fora de si.
O último cliente passou, Lázaro vai até Dona Tatiana, estava ali desde a primeira sessão, da manhã. Começa a procurar a caixinha de remédios no chão. Acha duas, vazias, uma de donepezil para seu problema, a outra de calmante, além, do vidrinho de benzina entre suas pernas. No rosto de Dona Tatiana um sorriso para cima. Duas lágrimas seguidas dos olhos de Lázaro salgando sua boca que não evitou um sorriso. Olha para cadeira ao lado, um baralho, será que dona Tatiana teria ganhado a última partida? Ninguém da cidade saberia. J. Durães
Margô Morreu (morte do meu personagem)
Fechou a porta com mais cuidado do que de costume.
Largou a bolsa aberta e no chão, foi direto para o telefone avisar sua mãe que não poderia passar lá por pelo menos dois dias. Uma conversa seca, sem tempo para as sempre perguntas dela.
Teve vontade de suspirar aliviada mas o ar foi sufocado por uma golfada de vomito. Não se importou em vomitar no tapete e nem em se limpar.
Seu cheiro era azedo, cheiro de criança recém nascida .
Foi até a comoda antiga do seu quarto, abriu a primeira gaveta e dentro de uma caixinha de cigarro pegou o bilhete guardado de metrô, com cuidado colocou no bolso do seu casaquinho branco e manchado.
Saiu em seguida, sem trancar a porta e sem bolsa.
Foi andando rumo a estação de metrô, no caminho, sem perceber, atravessava as ruas com o cuidado normal de quem não quer morrer .
Passou pela catraca e desceu pela escada correndo, sem tempo.
Foi direto para boca do túnel, já tinha imaginado tudo, e seria rápido demais .
Saltaria como um salto à distancia, sentiria um frio na barriga por estar em pleno ar, algo como uma parede de ferro fria ou quente isso ela não sabia, daria um tranco que a jogaria para baixo, teria que cair certeiramente em cima dos trilhos.
Na plataforma, imóvel ficou como que encantada pelos trilhos, não demorou muito um vento de mentira anunciou sua partida.
Trechos do Diário
Posto trechos do diário. Aguardo opiniões, sugestões e críticas. Detesto silêncio, rs
07 de agosto de 1979
Mãe, eu e tio Janguinha fomos no antigo sítio em Congonhas. O alambique de cobre, a madeira da entrada, a cachoeira, tudo quase intacto. Até meu pai parecia vivo: ele e o caminhão. A montanha de mercadorias no depósito. Entrega de cidade em cidade.
Era tão bom quando ele saia, a partida dele era nossa liberdade. Corríamos e brincávamos. Lá estava a mãe grávida. As meninas pequenas. Horas de brincadeiras.
A mãe também se emocionou muito, ela disse: “até os borrachudos não envelheceram, são os mesmos.”
23 de novembro de 1979
Trabalhar em barco foi uma das piores coisas que já fiz. Todo dia era aquela solidão esticada. De noite, diante do mar não havia nada além da escuridão.
Pouco se conversa nesses momentos. A audição deve ser o principal sentido, pois o invisível prega peças e o mar braveia a qualquer hora.
Quantas madrugadas de mar revolto. Afoito. Passei a odiar meu antigo companheiro. Justo ele, que sempre fora meu confidente, minha memória e meu pensamento. Embarcado, era meu inimigo – nada íntimo.
Não havia mulheres e músicas compactuando cigarros e beijos. Não havia trapiche. Havia apenas outros inseguros homens a espera do porto: nossa mais ansiosa promessa. Em terra firme teríamos o amor rápido e a pesagem do camarão.
sábado, 29 de agosto de 2009
O incrível fusca
Boa Tarde!
Posto o texto que o Marcelino comentou. Não modifiquei nada porque gostaria de saber a opinião de vocês.
Meu tema secreto eu detestei e não vou colocá-lo aqui.
O incrível fusca
Fomos de fusca até a Europa।
Avançamos faróis dos mais variados। Azuis. Redondos e de paralelepípedos.
No meio do caminho encontramos vários labirintos। Eles dobravam e desdobravavam.
Á esquerda passamos pelo Quênia e depois do breque, compramos sapatos indígenas no Equador।
Com os pés calçados de todas as cores, seguimos a nossa árdua rota।
Cabelos ao vento e mãos atentas ao volante.
Os olhos concluíram a jornada após décadas। Inacreditável, chegamos a Europa.
Pregamos lambe- lambe pelas ruas। Conhecemos os cânones do eurocentrismo. Falamos de política, de América Latina e de África….
Pouco tempo ficamos, refizemos as malas। Rumamos ao sul –nosso norte.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
no país das lasanhas congeladas
deixei com marcelino, portanto compartilho com vocês aqui!!
no país das lasanhas congeladas.
dias duros este de selva, duro sobreviver confinado neste meu bunker. as provisões rareiam, andam escassas. no momento a geladeira exala espaços vazios e dentro do armário apenas arroz e uma lata de molho de tomate. isso me obriga a sair da ostra à caça de alimento.confiro o uniforme: camiseta, bermuda, sandálias. meu veículo de muitos cavalos velhos e mancos está pronto para o ataque enquanto eu procuro as chaves. acho e antes de sair confiro se levo comigo a única arma que tenho para esta caçada: o cartão.
enquanto estaciono meu carro na savana-mercado tomo fôlego e me preparo para a dura missão de garantir a sobrevivência. armo-me de um carrinho e entro no antro de onde terei de sair vivo e com o meu combalido saldo bancário ileso. de cara sou jogado na seção das grandes-necessidades-urgentes-que-eu-deveria-possuir. nada que não possa ser superado com um pouco de vontade e uma estratégia de apenas olhar para a frente. saio inteiro mas logo sou ludibriado por uma miragem-oasís, com uma enorme carta de vinhos disponíveis, whiskyes de primeira, tequila, conhaques, cachaças e refrigerantes. mas um olhar atento revelou que nada daquilo era real, eu não tinha muito mais que 20 mangos pra gastar, e que mesmo uma garrafa de coca-cola seria demais. levei dolly.
até aquele ponto eu me saí bem, mas logo eu teria de passar pela terrível seção das porcarias gostosas. doces, isoporitos, biscoitos e laricas afins, terríveis tentações que corroem qualquer orçamento mas especialmente cruéis após um baseado. tenso, eu passava fingindo ignorar a terrível ameaça que me circundava até que fui surpreendido e atacado por uma promoção de biscoito de chocolate vitaminado por apenas 99 centavos. na jugular. enquanto segurava um pacote, precisei de muito esforço para conter a sangria de despesas que seria aquela missão se eu caísse em tentação. mas resisti e continuei focado em minha difícil caçada.
após isso cheguei aos laticínios e cereais, aonde consegui caçar um litro de leite com soda caustica, um saco de farinha de rosca (pra fazer farofa) e feijão. aquilo havia deixado meu saldo bastante exaurido, mas apertei o cinto e consegui chegar até a seção de carnes e congelados. não tinha mais muita munição, portanto precisaria ser certeiro na fase final desta empreitada.
afinal, o paraíso, a área mais aberta de onde se tinha uma ampla visão e espaço para respirar. ouvia o canto das sereias sair de dentro das geladeiras de sorvete ou mesmo de deliciosos queijos caros. distraidamente acabo parando no país das lasanhas congeladas. molho branco. quatro queijos. bolonhesa. vegetariana. presunto e queijo. todas ali, prontas para serem colocadas no microondas ou forno e serem glutonamente devoradas, sem maior esforço. no entanto, logo caio na real e vejo que o preço, sempre ele, se impõe e me veta este delírio consumista. compro meio quilo de carne moída, cebola, alho e pimentão pra fazer um refogado com a lata de molho de tomate e volto ao meu carro e à minha realidade.
Pedro Tostes
Dindinha
Dindinha
ela me veste bonita, com laço de fita. me põe de vestido rosinha, penteia e enrola meus cachos me chamando de anjinha. dá as mais belas bonecas para eu aprender a mexer e vela meu sonho do pesadelo. ensina a descobrir o mundo e as vezes a gente deita cansadas de tanto devaneio e o céu molha nosso rosto. faz seu carinho diferente e eu rio até chorar. é minha confidente e guardamos alguns segredos. sou a bonequinha dela e a gente brinca junto escondidas. toma banho comigo e me diz que uma boa menina não espalha seus mistérios. ela me disse que eu iria ser mulher e eu disse que já era.
Pedro Tostes
Derrame
espaço silencioso de memória fria
sem gravidade .
Perto do seu olhar posso ouvir
as batidas do seu coração escuro.
Você pode ver a cor de quem sofre
eu, não chego nunca ao chão.
Bissexualidade
o meu tema secreto era a bissexualidade - e coincidentemente a bissexualidade é quase sempre um tema secreto.
deixo aqui o texto.
De golpe em golpe, a enxada cavuca a terra. A ponta metálica do instrumento risca a face da mãe de tudo; bule, alisa, e avança. Suingue contínuo em vai-e-vem, roça cada grão como lambida, deixa a terra bêbada de morrer de prazer. Enxada viril. Gretas, fendas, trincheiras, não faz distinção; come geral. Cozinha todos os buracos. Extremidade de 30 centímetros de ferro e um corpo de pau que serve pra pegar. Quem pega é o lavrador. Maneja a ferramenta com suor. E com louvor. A cidade está longe e nesse descampado só a enxada e ele. Agarra a bicha pelas ancas, dá ordens, faz dela escrava. E cava nela. Mãos de couro, de touro, manipulam o ferro, o pau, animam e desorientam o instrumento. Que gosta, e continua enxotando a terra, penetrando, quanto mais fundo, melhor.
Então, fiz um texto tentando colocar em prática alguns dos toques que o Marcelino tem dado na oficina. Detalhe, valeu Pedro pela observação das vírgulas no final dos meus versos, o problema é que peguei umas paradas antigas e só achei vírgula nos textos! rsrs...
Bom, segue o poema aí!
CANTO A CAPELA
Sei de sóis que se separam
Cada qual uma melodia
Os motivos da viola
Variadas harmonias
Cada Contraponto
Uma polifonia.
- Ricardo Celestino

