
Bom, eu também coloquei mais chão e mais alguns pontos no texto do daltônico. beijos!
Antes de cair na grama, sol forte, rebatedor de luz na mão, o assistente do fotógrafo montou num feixe de roxo e seguiu aliviado para o céu da noite, as muitas matizes de violeta se espalhando pelas estrelas, coisa que só ele enxergava. A vista doía. Lembrou-se da noite em que descobriu ladrão camuflado na cozinha da tia Fátima, o menino é magrinho mas até que é bom pra ver sombra preta no escuro. E olha que ele nem sabia que na Segunda Guerra Mundial tinha soldado especial que detectava inimigo oculto na mata, gente de fora importante que via assim, que nem do jeito dele.
No meio da queda, a cabeça pertinho do chão, passeou pelos lilases e cinzas leves e repousou a vista na lembrança das fotos que tirava junto com o primo da polícia. Realçou a luz no p&b com mil tons, o chefe sorriu de trabalho bem-feito, o primo gostou, esse que era filho da tia dona do Joel, cachorro que não podia receber carinho não, se emocionava demais e vomitava uma pocinha laranja. Da cor mesma das frutas no pé no fundo da casa, que era também da cor dos tomates e da cor do sol, tudo a mesma coisa, só que o sol o mais brilhante, até demais, misturando a luz com o brilho do céu, não fosse o contorno da bola pra separar esse do outro, quando nublado o dia era pior, ficava tudo um clarão só sem o contorno de nada.
Menino magrinho, pretinho. Ceguinho? Gostava de dormir até tarde, cortina fechada, adorava a noite, mas aí era coisa de gente preguiçosa, a tia batia panela, então trabalhou em obra, cal, via tudo igual, só a forma e o jeito de pegar que era diferente, disseram do tijolo: laranja, e ele aprendeu, como as frutas, os tomates, o vômito de Joel. O primo conseguiu a vaga para trabalhar de fotógrafo na polícia, crime na noite, ele de assistente pra ir junto pediu, arriscou, conseguiu, o escuro, via prova que ninguém viu, mancha no chão, ladrão escondido, feito na casa da tia, olho de gato esse menino, bom demais pra trabalhar aqui. O chefe da polícia amigo do chefe de revista mexeu os pauzinhos, foi trabalhar em catálogo de moda, pagam bem, coisa de gente fina, começa amanhã, segurando o rebatedor.
Dia de sol no jardim, uma moça de vermelho, uma de verde, uma de amarelo. Tudo claro tudo igual. Joga luz na de vermelho, ele sentou luz na de amarelo, ilumina a de vermelho, botou luz na de verde, Bolinha nunca dirigiu, não pode ler semáforo, pois é. O diretor nervoso, a pressão, Bolinha não acertava uma, foi ficando emocionado de tenso, dando enjôo, que nem Joel vomitava de ganhar carinho o laranja mesmo do vestido das três moças. Soltar o rebatedor não soltou, que era coisa de primeiro dia de trabalho. A cabeça indo direto para o tijolo do canteirinho de crisântemos. Na grama, ainda pousou a vista num besouro antes de afundar no breu.