terça-feira, 10 de novembro de 2009

MICROCONTOS - INF/ RECADOS PESSOAIS

...

Muda e Abissal.

c/ kit trilha sonora + 10%.




TOM RAIDER

Chicote e espinho. s/ dó.

1 olho de cada cor.




Janny na Selva

+ de 100 espécies recém vacinadas. Domadora cachorra.

instintosprimitivos@janny.com (marcar c/ antecedência)



Cavalo Branco

Volumoso. Alto Padrão.

Crina longa. Cócegas garantidas.




OS MASCARADOS

Sabores variados. Pouca luz.

Vagas limitadas.

sábado, 7 de novembro de 2009

Texto de quarta

Gente linda,

fiz uma leve alteração, vejam se está ok.

bjo

O sítio

Eu me lembro do rio. Ele passava bem aqui. Bem no lugar onde construíram a porteira verde. Ele era a nossa companhia de fim de tarde.

O pai saia para fazer entregas de cidade em cidade. A mãe cuidava das meninas pequenas. Zenaide e eu cruzávamos dez risos e lá estava o rio: cortado pela madeira do trapiche. Não havia vergonha do passo. Não havia obrigação da venda. Só havia alegria, marronzinha como o amigo.

Depois do banho, o alambique de cobre era o pique. O espaço, o esconde-esconde. O tempo inexistia no caminho. O fim era o cheiro da janta.

Antes de dormir, pela janela o rio nos espiava. Parecia triste, sua cor fazia-se escura, dura. Anunciava a despedida certa. Logo seria a venda do sítio e a mudança. No novo lar, não existiam tardes nem brincadeiras, apenas trabalho. O dia inteiro de balcão, contando comércio e salgando tainha.

O rio foi a nossa infância.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ciranda de Nuvens

Foi na Terra que eu vi
Nuvens sonhando no ar
Com o seu raio de luz
Abrindo roda a dançar

Tinha uma gaivota
E mais cinco a girar
Era uma linda ciranda
Eu vi do lado de cá

A brisa meu corpo soprou
Com os seus beijos no ar
O céu disse minha filha
Deixa seu corpo dançar

Agradeci a mãe
Não é de dor meu lugar
Vi com sorriso de dentro
Agora eu só quero dançar

E me senti do amor
Isso é verdade de alma
Sem passado, um presente
Minha essência me acalma

Eu entrei neste sonho
Meus pés limpinhos estão
Eu não piso eu danço
Com o meu coração

(Gi, esta é a última música que fiz, a qual te falei ontem)

Juliana

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Lua Nova










De colar e decote, cruza dez cigarros e procura por todos os lados. Nenhum carro passa. Ninguém chama seu nome: Daniela

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SAIR DE CASA...

Embora fosse fácil sair daquela casa, queria conhecê-la melhor pelos cantos. Não deixei que ninguém me notasse, pensei até em usar um pseudônimo no caderno de visitas, e depois que descobri que ela estava lá, sentada próxima ao balcão tomando uma cerveja quis virar uma névoa e ser somente observador.

Passei por entre duas garotas que se beijavam e uma delas me provocou com um sussurro. Não percebi o que ela dizia e preferi retribuir com uma carícia perto do seio nu. Me pareceu não gostar muito da minha audácia involuntária, mas não teve muita atenção para politizar. A outra pegou-a pela cintura e voltaram a se explorar. Sentei próximo ao balcão e pedi uma cerveja, enquanto apreciava outras exibições.

Ela me reconheceu logo que dei os primeiros dois goles e caminhou em minha direção. Subiu um sangue indiscreto em minhas bochechas que ganharam mais textura quando ela me cumprimentou com um beijo. Abraçou-me e disse que era uma surpresa me ver lá, que se soubesse teria tratado de se vestir melhor.

Conversamos pelo resto da noite em intervalos de quinze minutos. No último ela parecia desgastada e cansada, disposta apenas em relaxar os músculos. Cheirava uma mistura de muitos perfumes e tinha um vermelho no pescoço que disse ser batom.

Se queria passar no médico para ver o que era aquele hematoma no pescoço nem perguntei. Reparei que ficava roxo na medida em que o sangue esfriava e andávamos até em casa. Quis entrar e beber um drink. Não tinha muito o que oferecer então tomou um suco de laranjas. No quintal dos fundos tinha um pé que ela mesma cuidava e de tempos em tempos recolhia uma quantidade para sustentar os pedidos exóticos daquela casa.

Dormia e pensei que não acordaria mais. Sentei de frente para a televisão e busquei conforto na imagem dela naquela casa. Pensei nas duas garotas lésbicas, talvez a dignidade estivesse no lado em que se olha algo. Cochilei, tão logo meu rádio-relógio despertou. Tentei não acordá-la, mas ela gritou:

- Pai! Desliga isso que eu to com sono!


Ricardo Celestino

sábado, 24 de outubro de 2009

manu x mariana

Eu doença
você mentira
e ficamos como
estávamos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Voltas.

Forno quente,
papeis perdidos,
a chuva está vermelha,
e os quartos ocupados.
Respiro até o fim
estou arranhada
de tanto amar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Minutos


curta-metragem metalinguístico de baixo orçamento ou aceita mais café?


Outro curta da Ordem Primeira dos Adoradores de Pi.
Beijos.
(ah, e por favor, na quarta-feira, não me ofereçam café :))

http://www.youtube.com/watch?v=N5X3AaTLUqI

Cidadezinha




Terça ou Quarta
tanto faz,
o sol gira em paz.

Cantado

Comecei fazendo letra
Fui passar em silêncio seu
Coração o que veio
Uma estrofe ao luar

Em passo mole imenso
Não estou aqui para pensar
Sonho inteiro sim
A mola mansa do mar

Quero saltar o tempo (2 x)
Sabendo que a letra vem
E sai sem pedir o céu
Ah, minha voz sem lar

É muda e se desfaz
Como uma mulher
Esqueço quem vai lê
De mim um certo ar

Canto siri catado
Como marisco do mar
Um salto em alto, enfim
Em baixo é devagar

Quero navegar em mim (2 x)
Sabendo que a letra vem
E sai sem pedir o céu
Ah, minha voz te dar

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Solar

Descobrimos juntas que de baixo do azul
o mar é verde amarelado.
Que o sol por baixo da água anda.
Lá em baixo não é quieto, tem ruido de maquina misteriosa
e é difícil encostar a barriga na areia,
mais fácil nadar como sereia.
Com os ombros vermelhos,
ponta de dedos de papel crepom
e lábios de groselha,
vivemos os dias de calor
sem lição de casa.

O Discromópsico do Bairro de Lá


Bom, eu também coloquei mais chão e mais alguns pontos no texto do daltônico. beijos!

Antes de cair na grama, sol forte, rebatedor de luz na mão, o assistente do fotógrafo montou num feixe de roxo e seguiu aliviado para o céu da noite, as muitas matizes de violeta se espalhando pelas estrelas, coisa que só ele enxergava. A vista doía. Lembrou-se da noite em que descobriu ladrão camuflado na cozinha da tia Fátima, o menino é magrinho mas até que é bom pra ver sombra preta no escuro.  E olha que ele nem sabia que na Segunda Guerra Mundial tinha soldado especial que detectava inimigo oculto na mata, gente de fora importante que via assim, que nem do jeito dele.

No meio da queda, a cabeça pertinho do chão, passeou pelos lilases e cinzas leves e repousou a vista na lembrança das fotos que tirava junto com o primo da polícia. Realçou a luz no p&b com mil tons, o chefe sorriu de trabalho bem-feito, o primo gostou, esse que era filho da tia dona do Joel, cachorro que não podia receber carinho não, se emocionava demais e vomitava uma pocinha laranja. Da cor mesma das frutas no pé no fundo da casa, que era também da cor dos tomates e  da cor do sol, tudo a mesma coisa, só que o sol o mais brilhante, até demais, misturando a luz com o brilho do céu, não fosse o contorno da bola pra separar esse do outro, quando nublado o dia era pior, ficava tudo um clarão só sem o contorno de nada.

Menino magrinho, pretinho. Ceguinho? Gostava de dormir até tarde, cortina fechada, adorava a noite, mas aí era coisa de gente preguiçosa, a tia batia panela, então trabalhou em obra, cal, via tudo igual, só a forma e o jeito de pegar que era diferente, disseram do tijolo: laranja, e ele aprendeu, como as frutas, os tomates, o vômito de Joel. O primo conseguiu a vaga para trabalhar de fotógrafo na polícia, crime na noite, ele de assistente pra ir junto pediu, arriscou, conseguiu, o escuro, via prova que ninguém viu, mancha no chão, ladrão escondido, feito na casa da tia, olho de gato esse menino, bom demais pra trabalhar aqui. O chefe da polícia amigo do chefe de revista mexeu os pauzinhos, foi trabalhar em catálogo de moda, pagam bem, coisa de gente fina, começa amanhã, segurando o rebatedor.

Dia de sol no jardim, uma moça de vermelho, uma de verde, uma de amarelo. Tudo claro tudo igual. Joga luz na de vermelho, ele sentou luz na de amarelo, ilumina a de vermelho, botou luz na de verde, Bolinha nunca dirigiu, não pode ler semáforo, pois é. O diretor nervoso, a pressão, Bolinha não acertava uma, foi ficando emocionado de tenso, dando enjôo, que nem Joel vomitava de ganhar carinho o laranja mesmo do vestido das três moças. Soltar o rebatedor não soltou, que era coisa de primeiro dia de trabalho. A cabeça indo direto para o tijolo do canteirinho de crisântemos. Na grama, ainda pousou a vista num besouro antes de afundar no breu. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Já que o polvo não entendeu quase nada do que tentei dizer no texto, decidi faze-lo mais tragavel, tirando o lado alegorico da historia. Os filosofos foram suprimidos pelo bem do texto todo. Opiniões?

Zarolho

Deficiente dum sentido ou ambos abrolhos. Já neles não mandava. Fixava o binoculo jamais em posição alguma. Inadequado, devido a falta de controle, lhe retorciam os musculos. Tão perdido seu foco era que podia ver gatas, cachorros e piranhas no mesmo olho sem perde-los, nem de vista.

Esse era Zenão, carimbado, estampado e sempre atento a qualquer movimento brusco, ou não. O tipo de tipo que só olhava para si, sempre assustou a criançada da cidade, com sua mirada torcida. Alguns o diziam fugidio, outros reticente. Zara era ele, pra muita gente. Seu moço, em breve esboço de encarar a cara dos que lhe zombavam para retrucar tais xingamentos alarmistas dava em cheio com algum passante e em tom desafiante inciava uma peleja. Brigando sempre contra duas visões, ele acabava aturdido. Entre a sombra de seu proprio gemido, o peixe e o gato. Zenão convergente, diferente doutra gente sempre tinha aa mão um argumento retrucão aa vista reta e falica dos amolões. Lhes dizia: Crates mestre, eu juro. Que se minha janela fosse boa, eu nao perambularia a toa, pelos olhares externos de uma varanda, pra encontrar um osculo de paz, estaria eu sentado com a velhice que me é de direito, sem saltar-me as veias do peito pra combater essa xingaria. Dos Meninos d’alforria desta juventude envesgada. Isto menos far-me-ia heroico, ou algo estoico frente a essa minha vesguice

domingo, 20 de setembro de 2009

Letra

Ó menina a gente tava lá,

Uma luz caída
Tinha muito clima
Você cantou uma rosa
Meu sonho outra canção

No alto, essa beleza
Não estou sozinho
Tem irmãos comigo
Com o pau de chuva
Fazendo chegar verão

De onde o amor viria
Romance louco
A gente fez um livro
Dentro e fora desse salão

Você dizia maracatu
E eu fora do tempo
A gente só ria
Cultura minha
Fez graça de sim e não

Eu, nós, ela só
Faltava uma parceria
Parece que eu sabia
Coração quente,
Dizer sem som

Eu sei que é natural
Que acontece assim
Mas eu procurei tanto
E foi na brisa que ouvi
O vento forte, a nossa canção

Ó menina a gente tava lá,
Uma luz caía
Tinha muito clima
Você cantou uma rosa
E molhou uma razão

A gente fez, a gente fez idéia
Ó menina a gente tava lá,
Uma luz caída
Tinha muito clima
E a gente fez, a gente fez

Parece que eu já sabia
De coração quente
Que você viria
Dizer sem som
As vozes da nossa letra
Nessa canção