sábado, 7 de novembro de 2009

Texto de quarta

Gente linda,

fiz uma leve alteração, vejam se está ok.

bjo

O sítio

Eu me lembro do rio. Ele passava bem aqui. Bem no lugar onde construíram a porteira verde. Ele era a nossa companhia de fim de tarde.

O pai saia para fazer entregas de cidade em cidade. A mãe cuidava das meninas pequenas. Zenaide e eu cruzávamos dez risos e lá estava o rio: cortado pela madeira do trapiche. Não havia vergonha do passo. Não havia obrigação da venda. Só havia alegria, marronzinha como o amigo.

Depois do banho, o alambique de cobre era o pique. O espaço, o esconde-esconde. O tempo inexistia no caminho. O fim era o cheiro da janta.

Antes de dormir, pela janela o rio nos espiava. Parecia triste, sua cor fazia-se escura, dura. Anunciava a despedida certa. Logo seria a venda do sítio e a mudança. No novo lar, não existiam tardes nem brincadeiras, apenas trabalho. O dia inteiro de balcão, contando comércio e salgando tainha.

O rio foi a nossa infância.

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