quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Anotações em Trânsito
Nesta cidade que passa por mim como um travelling maltrapilho, o carro sempre no ponto morto , enfileirado. O próximo que ande. A pressa contida é um colete a prova de balas. Somos sentimentais contudo. Queremos o extermínio mas não o sofrimento. Sofrer é nostalgia pura, é nobreza. Vou dissolver o chumbo deste colete cinza agora. Vou abrir as janelas, vou decorar todas as placas ao meu redor, vou encontrar o angulo perfeito no meu retrovisor, compor você. Quero dar um osso para o cão do meio fio, quando te encontrar engarrafada comigo. Quero compactuar com a minha estupidez, vou enviar aquela música, vou enfiar virtualmente meu pau na tua buceta sentada, não precisa levantar , faço acrobacias luta marcial. Meus grãos são contados, alimento-me todo dia. Você não chega. Outras passam. Continuamos lentos.
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"quando te encontrar engarrafada comigo" gostei! Daria para escrever um livro nestes trânsitos, rs. Beijos!
ResponderExcluirGosto do ar apocaliptico de quem vai se levantar e fazer tudo, uivos, loucuras, pirocopteros e acaba nao fazendo nada, sentada no estofado do carro. Beijos!
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